06/10/2015 - 15h25 | Atualizado em 22/09/2017 - 21h16
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Retorno poético e sentimental a Regeneração

Artigo de autoria do magistrado Elmar Carvalho

Dias atrás recebi um telefonema da amiga Nileide Soares, me convidando a participar da 6ª edição do Sarau – Poesia e Música na Vila da Regeneração, em que eu seria homenageado na qualidade de poeta. Fez-me um breve relato do histórico do Sarau. Na primeira edição foi homenageada a professora Socorro Santana, musicista, historiadora e poetisa, filha ilustre daquele rincão querido, do qual tenho a honra de ser cidadão honorário. No sábado passado, na reunião da Academia Piauiense de Letras, através do confrade Reginaldo Miranda, tivemos a infausta notícia do falecimento dessa artista da música e das letras.

Imediatamente aceitei o convite da Nileide, notável agitadora cultural, contista, cronista e articulista, além de empresária bem sucedida no ramo de gráfica e de papelaria. Ela me esclareceu que além de Socorro Santana já haviam sido homenageados os poetas Nathan Sousa, que me deu a auspiciosa notícia de ter tido um seu romance recentemente premiado pela UBE-RJ, Climério Ferreira, seu parente, e também compositor e cantor, Da Costa e Silva, excelso poeta e poeta maior do Piauí, e o cordelista e contador de estórias e histórias João Carlos.

Na tarde de quinta-feira, dia 24, à tarde, segui viagem, em companhia de Miguel Carvalho, meu pai, quase nonagenário, meu irmão Antônio José, sua esposa Maria de Jesus, e o escritor e historiador Reginaldo Miranda, que gentilmente atendeu o meu convite, reforçado pelo da Nileide. Fiz questão de que Reginaldo fosse, porque ele foi meu colega de formatura no curso de Direito (UFPI), é advogado atuante naquela Comarca e porque escreveu a mais notável e completa obra sobre a rica história de Regeneração.

Todos os saraus foram organizados e realizados pela NAV Produções, cujo nome é formado pelas iniciais de Nileide Soares, Antão Filho e Valquíria, três mosqueteiros e Quixotes da cultura musical e literária de Regeneração. Mosqueteiros porque são aguerridos e batalhadores, e Quixotes porquanto idealistas, num mundo cheio de pessoas “práticas” e argentárias.

O evento foi aberto pelo poeta e escritor Nathan Sousa, meu confrade, assim como Nileide, na Academia de Letras do Médio Parnaíba, que me traçou um belo perfil, exaltando as minhas eventuais qualidades literárias e evidentemente omitindo os meus defeitos. Além disso, recitou alguns poemas de minha autoria.

Valquíria Lima, com muita competência e maestria, fez a apresentação do sarau lítero-musical. Tem bonita voz e boa dicção, e tem o dom de escandir bem as palavras. Quando recitava os poemas, o fazia com boa entonação, no ritmo correto e de forma pausada, de maneira que o conteúdo e a musicalidade do texto podiam ser bem absorvidos pelos ouvintes.

Atuaram na parte musical o sanfoneiro Chico Preto, o tecladista Chinó Font e os intérpretes Chico Paulo, Odair Leandro e Jacksom Kalliffas. Todos se apresentaram de forma excelente, e fizeram por merecer os calorosos aplausos que receberam. O repertório foi de alta qualidade, pois as melodias eram ótimas e as letras eram verdadeiros poemas.

O Chico Preto, parecendo ter o espírito da ave canora da qual retirou o nome, pareceu-me um virtuose da sanfona, a brincar e a fazer firulas e malabarismos com os baixos e as teclas, além de ter perfeito domínio sobre o molejo do fole. Valdemir Gomes tudo documentou, em áudio-visual. Foi homenageado o aluno Francisco Emanuel, medalhista da Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa – 2014.

Conta a lenda que, num dos saraus anteriores, um dos intérpretes, em pequeno ato falho, modificou a letra da música Asa Branca, imortalizada por Luiz Gonzaga, ao entoar que “asa branca morreu ontem / hoje mesmo avoou”. Além da referida alteração, cometeu uma maldade e um milagre, pois ao tempo em que matou a ave de arribação a ressuscitou no dia seguinte, de forma que o pássaro escapou da morte e da seca. Sem dúvida esse diminuto deslize vai ficar na história musical da cidade, como engraçado caso anedótico.

O espetáculo lítero-musical aconteceu na Pizzaria Quero Mais, às 19 horas do dia 24, quinta-feira. Os servidores e proprietários da pizzaria, além de outras pessoas, vestiram literalmente minha poesia, porquanto a bonita camisa estampava os três versos finais de meu poema Marítima: “Mas trouxe a vida / na alegria das chegadas / e na tristeza das despedidas.” Não sei se por mera coincidência, já que muitos afirmam não existir acaso, o poema que eu havia escolhido para recitar foi exatamente esse.

Mais de três dezenas de meus poemas estavam estendidos em um cordel. Foram bem impressos, em letras graúdas e em papel de boa qualidade, de modo que os leitores não tivessem nenhuma dificuldade em lê-los, como fazia parte da metodologia do sarau. Após a declamação, tive o prazer de autografá-los para o leitor.

A escolha dos textos foi rigorosa, e posso classificá-la como verdadeira antologia. Um jogral, com vários participantes, encenou um dos poemas. José Teixeira Pacheco, professor, escritor, poeta e ator, interpretou, como se fora um monólogo e com muita emoção, meu poema Vida in Vitro. Foi, sem dúvida, uma grande noite de poesia, música e magia.

Foi também uma das maiores homenagens que recebi. Em meu discurso, parafraseando Da Costa e Silva, disse que quando cheguei, para assumir o meu cargo de juiz de Direito da Comarca de Regeneração, em pleno inverno de 2007, eu estava feliz e a natureza me sorria através da exuberância do verde das faveiras, e quando a deixei, mais de seis anos depois (em virtude de promoção), no início de agosto de 2013, eu estava triste e as faveiras não estavam tão verdes.

Aduzi que me esforcei para ser o melhor juiz que eu poderia ser, ante as condições que me eram oferecidas, especialmente a ostensiva falta de servidores. Vários tribunos, entre outros os advogados Carlos Augusto Nunes, Reginaldo Miranda e Nei Leitão, aos quais sou grato, elogiaram a minha poesia, e enalteceram a minha judicatura na Comarca da eterna Vila de São Gonçalo da Regeneração.

Fiquei deveras comovido. Tive que fazer esforço para não chorar, embora não fosse isso nenhum ato vergonhoso.


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