24/12/2014 - 11h24 | Atualizado em 22/11/2017 - 05h20
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Confissões de um juiz e outras (in)confidências

Artigo de autoria do magistrado Elmar Carvalho

Recebi o seguinte e-mail, enviado pelo professor José Maria Vasconcelos, professor de português e de literatura, crítico literário e cronista de ótima cepa: “Nobre Elmar, uma voltinha pela gráfica do Diário do Povo, deparo-me com o funcionário empacotando seu novo livro, Confissões de um Juiz. Comecei a ler as primeiras páginas, enquanto aguardava o Kenard Kruel, que me acompanhava a negócio. Pois não é que, em poucos minutos, devorei mais de 20 páginas? Comoveu-me sua luta contra o CA. Sua obra vai bombar, por emanar muita espiritualidade e generosidade, acima do que se pensa tratar só da atividade jurídica. Bravo, nobre escriba.”

Não preciso dizer o quanto fiquei honrado com o teor dessa mensagem internética, mormente por saber que seu autor é um crítico literário isento, arguto e de longa experiência, e ainda por dominar a teoria literária e ser um leitor percuciente e voraz. Qualquer literato ficaria desvanecido em receber essas palavras de estímulo, sobretudo porque José Maria Vasconcelos não é dado a fazer elogios gratuitos, dotado que é de proverbial franqueza.

Em resposta, encaminhei-lhe pelos mares internéticos este curto “bilhete”: “Fiquei contente e comovido com suas palavras de incentivo. O livro está previsto para ser lançado no final de fevereiro. O nobre mestre já está convidado. De qualquer modo, após o lançamento, faço questão de lhe entregar um volume. Usarei o seu e-mail como mote de uma crônica que escreverei hoje. Obrigado por suas boas palavras.” A crônica é este registro diarístico, que ora escrevo.

Após ler o e-mail do mestre José Maria, fui fazer minha caminhada na Raul Lopes, depois de uma ausência de mais de uma semana, em virtude de doença e viagem a Parnaíba. Ao retornar, recebi da Fátima uma agradável notícia, que me pareceu um coroamento da mensagem virtual acima transcrita. Tratava-se de um telefonema de dona Anatália Gonçalves de Sampaio Pereira.

É ela filha de Oeiras, cidade a que sou ligado, como todos sabem, por laços poéticos, afetivos e sentimentais. Neta do coronel Orlando Barbosa de Carvalho, um dos mais operosos prefeitos da velhacap. Viúva do político e deputado federal Themístocles de Sampaio Pereira. Mãe de Themístocles Filho, presidente da Assembleia Legislativa, e de Marllos Sampaio, deputado federal.

Havia sido apresentado a ela na quinta-feira passada, por ocasião do lançamento do livro Enlaces de Família – uma genealogia em construção, da autoria de Valdemir Miranda de Castro. Foram meus “apresentadores” o irmão maçônico Bernardo de Sampaio Pereira e Teresinha Queiroz. O primeiro exagerou minhas eventuais qualidades, e a segunda teceu considerações sobre o meu livro Noturno de Oeiras e outras evocações, e principalmente sobre o poema que lhe forneceu a primeira parte do título.

Como dona Anatália tivesse demonstrado interesse em conhecer o livro e o poema Noturno de Oeiras, prometi que em breves dias lhe deixaria um exemplar no cartório do qual ela é titular. Terminei entregando-o logo no dia seguinte. Na terça-feira ela ligou para agradecer, e aproveitou para fazer acentuados elogios a essa modesta obra literária, sobre os quais não pretendo entrar em minudências.

Disse ter se emocionado com sua leitura, e que se sentiu transportada a sua velha Oeiras, terra cheia de encantos, tradição e cultura. Falou que eu deveria gostar muito de sua cidade, para ter escrito o que escrevi, tendo minha mulher confirmado essa assertiva. Aduziu que releu vários textos. Esta última afirmativa, numa época de poucos e apressadíssimos leitores, corresponde ao maior elogio que um literato poderia receber nos eletrônicos e cibernéticos dias de hoje.

Ao ser informada pela Fátima de que eu já editara uma nova obra – Confissões de um juiz – manifestou interesse em ir ao seu lançamento. Portanto, já tenho duas pessoas interessadas em adquirir meu livro: dona Anatália Gonçalves de Sampaio Pereira e o professor José Maria Vasconcelos. E isso não é pouco, se considerarmos que Machado de Assis, que era Machado de Assis, dizia ter talvez cinco leitores, quanto muito.


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